As identificações e o trabalho (infindável) de um luto

Artigo publicado nos Anais do V Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e XI Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental 2012. Setembro 2012.

Resumo: Este trabalho tem como objetivo analisar o processo de elaboração do luto a partir de um caso clínico, atendido em um contexto hospitalar. O caso em questão refere-se ao paciente “Inácio”, que, após um grave acidente automobilístico, é internado na UTI. A equipe de psicanalistas é solicitada, a fim de assegurar que o paciente suporte a notícia da morte de sua esposa, ocorrida no mesmo acidente. Para Freud, em Luto e Melancolia, o trabalho do luto consiste na retirada da libido do objeto amado. Tal processo mobiliza as primeiras identificações, momento em que a apropriação das ausências e das presenças constrói, pela via da incorporação, a construção de um eu. A perda da pessoa amada mobiliza o ideal de eu, a insígnia, a marca do outro mais precoce em relação a todo o investimento objetal, qual seja, a identificação com o pai da pré-história pessoal. Trata-se de analisar como ocorre o desinvestimento e a substituição do objeto pela via da identificação nesse paciente, cujo fantasma de vulnerabilidade psíquica preexistia ao acidente.

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